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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Encontro do MidCid discute a cidade a partir do olfato

Segundo a pesquisadora Luisa Paraguai, o cheiro serve como mapeamento urbano, permitindo-se a criação de núcleos de reconhecimento da cultura 


Em 2018, o grupo MidCid tem a proposta de discutir a temática "A Cidade depois do Fim do Mundo"

"Smellscapes: geografias alternativas urbanas", esse foi o tema da reunião do Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais (MidCid), realizada na última segunda-feira, 23 de abril. A exposição do assunto ficou por conta da Professora Doutora Luisa Paraguai, do Programa de Pós-Graduação em Linguagens, Mídia e Arte da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Professora Doutora Luisa Paraguai
Luisa Paraguai trouxe como discussão a possibilidade de entender a cidade a partir do olfato. Para ela, esse sentido permite pensar tanto na ordenação dos centros urbanos quanto na forma em que as relações sociais e de poder se organizam culturalmente.

Ela lembra, historicamente, que o olfato passa a ser silenciado na época de transição da Idade Média para a Modernidade. Apesar do fato das cidades cheirarem mal, as pessoas não se importavam por já estarem acostumadas. Mas, desde o momento em que o odor é associado a questões de saúde pública, ele começa, então, a ser monitorado. "Pensam em alocar os lugares, como os hospitais, em regiões onde pudessem controlar o cheiro", comenta. É dessa ideia também o sentido de definir classe social em: "os pobres cheiram ruim e os ricos aromatizam o espaço em que se encontram", expõe a professora, mestre e doutora em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas UNICAMP, além de ter pós-doutorado no Planetary Collegium, Nuova Accademia di Belle Arti NABA, em Milão.

Na reunião, a convidada também falou sobre a experiência profissional, apresentou os teóricos que dão sustentação a sua pesquisa e mencionou a intenção de levar seus estudos para uma abordagem prática.

Os encontros de 2018 do grupo têm a proposta de discutir a “A Cidade depois do Fim do Mundo”, ou seja, refletir a cidade em outro viés. A próxima reunião está marcada para 21 de maio.





Texto: Jennifer Lucchesi
Fotos: Felipe Parra